Imagine tentar descrever, com a mesma linguagem, uma maçã que cai e a Lua que continua em órbita. No século XVII, esse era um salto ousado: fenômenos terrestres e celestes pareciam pertencer a mundos diferentes. Newton percebeu que era preciso uma matemática capaz de acompanhar mudanças instante a instante e de reconstruir um todo a partir de pequenas variações.
Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, numa Inglaterra atravessada por mudanças científicas e políticas. Seu pai morreu antes de seu nascimento. Ainda jovem, foi enviado à escola em Grantham e depois ao Trinity College, em Cambridge, onde estudou os autores clássicos e as ideias recentes de Descartes, Kepler, Galileu e outros.
Quando a peste fechou Cambridge em 1665 e 1666, Newton voltou a Woolsthorpe. Nesses anos desenvolveu ideias sobre séries, fluxões — sua versão do cálculo —, luz e gravitação. A história da maçã não deve ser lida como um instante mágico que produziu uma teoria pronta: ela simboliza uma pergunta amadurecida durante muitos anos.
Em 1687 publicou os Principia. O livro mostrou como leis matemáticas do movimento e da gravitação podiam explicar órbitas, marés e trajetórias. Para isso, Newton usou principalmente argumentos geométricos, embora seu trabalho com fluxões estivesse por trás de parte de seu pensamento.
Newton também estudou óptica, construiu um telescópio refletor, dirigiu a Casa da Moeda e presidiu a Royal Society. Era brilhante, reservado e combativo. Envolveu-se em disputas duras, sobretudo com Leibniz sobre a prioridade do cálculo. Hoje reconhecemos que os dois desenvolveram o cálculo de forma independente e que a notação de Leibniz se tornou a mais usada.
Longe de Cambridge durante a peste, trabalhou em séries, fluxões, óptica e gravitação. As ideias ainda passariam por longa revisão.
Transformou movimento e gravitação em um sistema matemático capaz de produzir previsões.
Reuniu experimentos sobre luz e cor e publicou anexos matemáticos sobre curvas e quadraturas.
O QUE FICOUNewton não inventou sozinho a matemática moderna. Ele reuniu problemas, técnicas e resultados de muitos predecessores e, ao lado de Leibniz, abriu uma nova linguagem para a mudança. Seu legado é tão poderoso justamente porque passou a ser corrigido, ampliado e usado por outras pessoas.